Um lembrete de agradecimento

Hoje eu inauguro essa coluna aqui. Do tanto que me pediam – e eu me peço também, já que escrever é um ato que me ergue, decidi fazê-lo.

Adianto que será sobre o que eu sentir que deve ser. Se um dia aqui nascer um texto técnico ou persuasivo, deixarei que ele fique. Se um dia eu quiser deixar uma página em branco a ser escrita, também deixarei, e me sentirei narrando as lacunas do que é viver, já que a vida não pede sempre uma página preenchida e nem pronta pra ser lida.

Para a de hoje, quero começar agradecendo. Fiz esse exercício logo cedo, depois de analisar uma foto do livro “Sem esforço”, do Greg McKeown. 

Com dois círculos e oito setas, Greg me fez reconhecer o quanto podemos esmagar nossas conquistas se nos deixarmos tomar pela ansiedade do que ainda não temos. O livro nem fala sobre isso, mas eu quero constituir esse reconhecimento aqui.

Eu faço isso. Sob o disfarce de que devemos “estar sempre indo em frente”, a gente não se dá ao deslumbre de contemplar o agora. Pare neste momento, e escreva num pedaço de papel qualquer, tem que ser por escrito, três motivos palpáveis para você comemorar a vida que leva hoje.

Vou começar:

  1. Consegui construir um trabalho que me permite flexibilidade de horário;
  2. Posso dormir cedo todos os dias;
  3. Moro proporcionando uma infância plural ao meu filho.

De pouco em pouco, se a gente for reunindo em si, e se lembrando, e se congratulando, tudo o que já somos expandirá, sem sobrar espaço para que o que não existe/temos/somos nos consuma em ansiedade.

Não tô falando de expandir o ego. Tô falando de dar espaço para que tudo que já alcançamos possa nos acompanhar na direção do que queremos ser. E essa companhia tende a amortecer todo sentimento vazio e de insegurança por esse caminho, ora obscuro, impalpável, incerto.

Pra gente terminar, anota aí, no mesmo papel: é importante que eu sempre possibilite expandir em mim tudo aquilo que de bom já conquistei, já sou, já sirvo. É importante que eu não me permita consumir por tudo que eu quero ser, por tudo que sinto que me falta.

Eu já escrevi. Aqui. Pra que você me leia, para que eu reconheça.

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